sábado, 26 de janeiro de 2008

Resenha do Filme Quanto Vale ou Por Quilo - por Vieira

Sérgio Bianchi nasceu no Paraná em 24 de novembro de 1945. Estudou comunicação e arte na USP, onde foi aluno de grandes nomes do cinema nacional como Paulo Emílio Sales gomes e Jean Claude-Bernadete. Foi assistente de direção de vários filmes, escreveu críticas de cinema para a folha de SP, realizou exposição de fotografia. Ao longo de sua carreira Bianchi dirigiu quatro curtas ( O ônibus, 1972; A segunda besta, 1977; Divina providência, 1983; Entojo,1984) e uma média metragem ( Mato eles?) que foram bem aceita pela crítica. Mas foram os longos metragens, Malditas coincidência (1979), Romance (1989) e a Causa secreta (1994) que caracterizaram o cineasta como polêmico e crítico da nossa sociedade vigente.
Com seus filmes Sérgio Bianchi ganhou vários prêmios nacionais e internacionais como melhor diretor, melhor filme e melhor roteiro em festivais de cinema na Itália, México, Argentina, RJ, PR, SP, Brasília, Gramados e outros. Romance, Causa secreta e cronicamente inviável foram seus trabalhos mais premiados.
Quanto vale ou é por quilo é um filme de Sérgio Bianchi. Uma livre adaptação do conto “Pai contra mãe” de Marchado de Assis, entremeando com pequenas crônicas de Nireu Cavalcanti sobre a escravidão, extraídas do arquivo nacional do RJ. O filme está dividido em subtítulos, com cenas que, geralmente, fecham um significado, um sentido. Revela as mazelas e contradições de um país em constante crise de valores. Bianchi costura dois recortes: o século XVIII, com a expansão do comércio de escravos e a relação social entre senhores e escravos; e os tempos atuais com sua exclusão social, focando um comércio de gente explorado por empresas e ONGs. Em outras palavras, Bianchi faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a exploração da miséria pelo marketing social. O filme fala da degradação do ser humano, como as pessoas com a máscara da bondade se aproveita da miséria dos outros. Também é uma denúncia sobre a beneficência feita no Brasil. Bianchi se utiliza da ironia para relatar a situação social no Brasil e faz uma crítica à forma que o governo tenta resolver os problemas sociais. Ao invés de oferecer oportunidades, constrói mais presídios para os explorados importunadores.
Trata-se de um drama, lançado em 2005, dirigido por Sérgio Bianchi e produzido por Agravo produções cinematográficas S/C Ltda – SP- Brasil. Argumentos e roteiro de Sérgio Bianchi, Eduardo Benain e Newton Canitto. Montagem de Paulo Sacramento e produção de Paulo Galvão. O filme teve como intérpretes: Lázaro Ramos, Ana Lúcia Terra, Caco Ciocler, Cláudia Mello, Lena Roque, Leona Cavalli e Silvio Guindane. Os principais patrocinadores foram a Petrobrás, a prefeitura do RJ, o BNDES, a Eletrobrás, os Correios e outros.
O filme pode ser visto como uma análise de alguns aspectos da sociedade brasileira a partir dos métodos dominadores e de alienação do rico sobre o pobre. Não propõe solução pois não é esse o objetivo do diretor. O filme não é moralista, por isso não toma partido do certo e do errado. Mostra o favor como um investimento retornável e a idéia da ONG como um grande negócio lucrativo. Mostra as Relações sociais e interpessoais profundamente definida por relações econômicas, daí o nome do filme. Assim como os escravos eram mercadorias do séc. XVI ao XIX, os descendentes de escravos, incluindo brancos, formam uma matéria prima de miseráveis, pobres e excluídos que hoje viraram mercadoria para ser explorada.
O filme não apresenta perspectiva, a revanche está no fato de o explorado querer que o explorador também sofra. Mostra a lei sempre a favor dos ricos e poderosos. O seqüestro aparece como um grito de desespero de uma sociedade que não sabe como fugir de tanta exploração. Bianchi apresenta o capitão do mato como vivo, ativo e servindo, forçado pela situação social, aos desmandos dos grandes senhores de hoje. Alguns críticos vêem Sérgio Bianchi como um diretor que se acha superior a sua obra, como se só ele conseguisse enxergar os problemas sociais. Outros o ver como um tipo de consciência persimista da sociedade, que não oferece nenhum tipo de solução. Mas a maioria dos críticos vêem com bons olhos suas obras e, acham que enquanto alguns diretores apresentam o Brasil como um país alegre e democrático, Bianchi o ver como preconceituoso e elitista.
Comparando o filme Quanto vale ou é por quilo com outras obras do próprio diretor, como o filme, cronicamente inviável, que apresenta um discurso crítico e virulento, onde Bianchi aborda temas como a prostituição masculina, corrupção, tráfico de drogas, conflitos de terra, destruição ambiental e criminalidade urbana. Podemos perceber que em “Quanto vale ou é por quilo” o diretor mantém seu estilo de criticar a sociedade brasileira, mostrando de forma “nua e crua” algumas verdades que são escondidas ou mascaradas por outros.
O filme pode ser indicado para alunos de história, geografia, sociologia, antropologia, ciências sociais e diversos outros cursos superiores e médio, e até mesmo ao público em geral, que queira conhecer um pouco mais da nossa sociedade, por conter o filme aspectos da sociedade brasileira que não estão explícitos e são desmascarados escancaradamente, mostrando as facetas dos exploradores do comércio da pobreza.





Referências:


· Quanto Vale ou é Por Quilo. Direção: Sérgio Bianchi. Produção: Paulo Galvão. Interpretes: Lázaro Ramos, Ana Lúcia Terra, Caco Ciocler, Claudia Mello, Lena Roque, Leona Cavalli, Sílvio Guindane. Roteiro: Sérgio Bianchi, Eduardo Renain e Newton Canitto. Produtora: Agravo Produções Cinematográficas. 2005, 1 DVD, som, cor.

· Site: http:www.quantovaleoueporquilo.com.br. Acesso em 10 e 18 de junho de 2006.

9 comentários:

neide disse...

gostei mt de seu trabalho. com certeza ele vai me ajudar muito. obrigada.

junior disse...

legal cara, mt bom seu artigo. vou tuilizá-lo tá?

Anônimo disse...

ta uma merda seu otario

Anônimo disse...

não me ajudou muito podia ser melhor não falou nada do que é necessário falar e sim do autor e de quem fez resenha.
é ta uma merda mesmo ' :s

Nina disse...

Muito bom, eu precisei de uma ajuda p/ fazer uma resenha e foi bastante rpoveitoso...

Anônimo disse...

Estou impressionado com alguns comentários.
Em vez das pessoas assistirem o filme e explicarem o que entenderam; querem usar o análise de outrem.
Acorda Brasil. Vamos aprender a pemsar!

sergio rocha disse...

foi boa sua resenha, parabens voce sintetizou bem o fime.

paty disse...

muito legal essa resenha vou usala espero q no se importe.

Anônimo disse...

Vamos aprender a pensar e a escrever também!