sábado, 26 de janeiro de 2008

Além do Bem e do Mal, Aforismo e Interlúdio - por Anselmo Vieira

Quarta Parte
Aforismos e Interlúdios

Nesse capitulo, Nietzsche apresenta algumas sentenças morais, breve e conceituosas, que ele considera como sendo máxima, são considerações da mente dele. Esse capítulo é semelhante ao livro bíblico de provérbios. Separamos alguns aforismos que se referem a um certo objeto, e apresentaremos a seguir. Aforismos que se refere:
Ao conhecimento.
“A atração exercida pelo conhecimento seria bastante fraca, se para atingi-lo não fosse preciso vencer tantos pudores”.
A Deus.
“Somos mais desonestos para com Deus: pretendemos que ele não possa nem deva pecar”.
“O amor por um único ser é barbárie: porque acontece em detrimento de todos os outros seres. Mesmo o amor de Deus”.
Aos intelectuais.
“Um homem dotado de gênio é insuportável se, além disso, não tem pelo menos duas outras qualidades: a gratidão e a polidez”.
“Não a potência, mas a duração de um sentimento elevado forma os homens superiores”.
À consciência.
“Quando se amestra a própria consciência, esta acaricia ao mesmo tempo em que morde”.
“Eu fiz isto, me diz a memória, não posso tê-lo feito, sustém o meu orgulho que é inexorável. Finalmente cede a memória”.
A verdade.
“É uma coisa terrível morrer de sede em meio ao mar. É realmente necessário que se ponha tanto sal na nossa verdade ao ponto de torná-la incapaz de satisfazer à sede”.
À mulher.
“Á mulher aprende a odiar na medida em que deixa de fascinar”.
“Na vingança e no amor a mulher é mais cruel que o homem”.
À moral.
“Envergonha-se da própria imoralidade é um degrau da escada no extremo do qual se sentirá vergonha da própria moralidade”.
À religião.
“O cristianismo perverteu a Eros, este não morreu, mas degenerou-se, tornou-se vício”.

Quinta Parte
Pela História Natural da Moral

O sentimento moral é presentemente na Europa, tão fino tardio, múltiplo, irritável, refinado, quanto à ciência moral é ainda jovem, principiante, entorpecida e grosseira. Nietzsche dizia que os filósofos queriam estabelecer os fundamentos da moral e eles acreditavam firmemente que tinham conseguido estabelecer este fundamento, mas para esses filósofos, dizia Nietzsche, a moral era encarada por ele como coisa dada. Esses moralistas conhecem de forma grosseira a moralidade, através de uma abreviação casual. Para Nietzsche, o que eles conheciam era a moral de sua classe, sua igreja, seu ambiente, do tempo em que vivem. Por isso jamais tiveram face a face com os verdadeiros problemas da moral. Para ele, na “ciência da moral”, faltava o problema da moral, e ele suspeitava até da existência de algum problema. Para Nietzsche os mestres dessa ciência falavam como criança e moçoilas.
A moral cristã se caracteriza pela moral do rebanho, em que os indivíduos se deixam levar pela maioria e seguem os ensinamentos da moral tradicional de forma acrítica. É também a moral do “homem do ressentimento”, que assume a culpa e o pecado como características de sua natureza e por isso reprime seus impulsos vitais, sua vontade, sua criatividade, em nome da submissão à autoridade da religião e, por extensão, do Estado e das instituições em geral. Essa é, segundo Nietzsche, a “moral dos fracos”, que consegue se impor aos fortes exatamente através do recurso à culpa e ao remorso inculcados pela tradição em todos os indivíduos
Segundo Nietzsche, existem morais que tem como função justificar seus autores aos olhos dos outros, outras de torná-los satisfeito, outras como vingança, outras servem como esconderijo ou ainda para exaltar a si mesmo. Algumas vezes a moral serve ao seu autor para mentir. Dessa forma, conclui que, as morais nada mais são que a linguagem figurada das paixões.
Nietzsche achava que os moralistas pareciam sentir medo dos homens dos trópicos, pois esses moralistas diziam que esses homens deviam ser desacreditados, e apresentava-os como forma degenerada e mórbida dos homens. A esse pensamento dos moralistas, Nietzsche chamava de “a moral sob a forma do medo”, e que esse pensamento sobre a moral não pode ser chamado de ciência e sim de imbecilidade.
Alguns moralistas se utilizavam da moral para manter o domínio sobre o seu rebanho, fazendo-se passar pelos executores de mandatos antigos e supremo( os dos antepassados, os da constituição, os de Deus) ou recolhem fórmulas gregárias da mentalidade do rebanho e se oferecem como primeiro servidor do estado ou como instrumento do bem público. A esse pensamento Nietzsche chama de “A hipocrisia moral dos dominadores”. Para Nietzsche a moral na Europa era uma moral de rebanho que chegava sempre a mesma conclusão: “a única moral sou eu e não há outra além de mim”.

Sexta Parte
Nós os Doutos

Nietzsche fala que a emancipação da ciência da filosofia é uns dos efeitos mais delicados da ordem e da desordem da democracia, e que depois de se defender com sucesso da teologia, da qual longamente foi serva, agora em sua audácia e irracionalidade quer ditar leis a filosofia e ser sua patroa. Ele se opõe a isso, que ele chama de inconveniente desnivelamento entre a ciência e a filosofia.
A ciência está em plena floração e demonstra sinceramente a boa fé com que está animada. Já a filosofia, para ele, é uma filosofia que gera desconfiança, menosprezo ou compaixão. Filosofia reduzida a “teoria do conhecimento” ou para ele “teoria da abstinência”. Uma filosofia agonizante, algo que provoca piedade, frente a isso Nietzsche pergunta: Como tal filosofia pode dominar?
Na visão dele, faz um relato do que é um homem de ciência, que para ele, não sabe qual é a função do homem. O homem de ciência é uma espécie sem nobreza, não dominante, não exerce autoridade nem mesmo suficiente a si mesmo. Apesar disso possuem paciência de classificar e ordenar as coisas, a laboriosidade.
Para Nietzsche, o homem objetivo é o douto “ideal”, cujo instinto cientifico, depois de inúmeras tentativas, conseguiu com grande risco surgir e desenvolver-se, esses homens estão entre os instrumentos preciosos mais difíceis de encontrar. Esses homens são instrumentos, espelhos, que necessitam ser manejados por um braço forte.
O filósofo do futuro deve ter a qualidade profunda que distingue o crítico do cético. Devem ter disciplina critica e tudo que possa habituar a um pensar puro e rigoroso. Apesar disso não vão querer ser chamados de críticos, pois os críticos são instrumentos do filósofo e estão longe de serem filósofos.
Nietzsche insiste em distinguir o homem de ciência que ele chama de operários filosóficos do verdadeiro filósofo. Para ele o homem de ciência é servo do filósofo. Aos operários compete a função de tornar claro, inteligível, palpável todos acontecimentos, estabelecer existência de fatos e certas apreciações de valores que com o tempo se tornarão dominantes, seja no reino da lógica, da política (moral) ou da arte. Já o verdadeiro filósofo são dominadores e legisladores, preestabelem o caminho e a meta do homem, e para isso se utiliza do trabalho dos operários da filosofia. O seu conhecer equivale a um criar, o seu criar a uma legislação, o seu querer a verdade, ao querer o domínio. Existem filósofos assim? Já existiram filósofos assim? Não seria bom que existissem filósofos assim? Pergunta Nietzsche.

2 comentários:

lucas disse...

ola anselmo, vc tem a resenha das demais partes do livro?

Carla Rodrigues disse...

Olá gostei, muito objetiva porque no livro é bem complexo, poderia postar as outras partes do livro.